O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, na quinta-feira (3), uma investigação ampla sobre o caso envolvendo o Banco Master e cobrou atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) para esclarecer os fatos. Segundo o presidente, todas as pessoas sob suspeita devem ser investigadas sem distinções.
A manifestação ocorreu após a divulgação de um relatório da Polícia Federal que registra uma troca de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e um interlocutor identificado no documento como o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, Lula afirmou que a apuração deve ocorrer de forma transparente e sem favorecimentos.
“É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer”, declarou o presidente.
Lula critica vazamentos seletivos
Durante a manifestação, Lula também criticou o que classificou como “vazamentos seletivos” de informações relacionadas ao caso. Para o presidente, a população tem o direito de conhecer os fatos e acompanhar o esclarecimento das denúncias.
Lula defendeu ainda mudanças nos sistemas político e judiciário e afirmou que agentes públicos devem priorizar o interesse coletivo em vez de interesses pessoais.
Esta foi a primeira manifestação pública do presidente sobre o caso após a divulgação dos diálogos.
De acordo com o relatório da Polícia Federal, Vorcaro teria questionado Moraes sobre a possibilidade de deixar o país dois dias antes de ser preso pela corporação, em novembro de 2025. A existência das mensagens, por si só, não estabelece eventual irregularidade ou responsabilidade criminal dos envolvidos, e o caso permanece sob investigação.
Investigação está sob relatoria de André Mendonça
A investigação relacionada ao Banco Master está sob relatoria do ministro André Mendonça, que solicitou à Polícia Federal o levantamento dos diálogos envolvendo Vorcaro e Moraes.
Na terça-feira (1º), Mendonça determinou a retirada do sigilo do documento que reúne as mensagens, ampliando a repercussão do caso dentro e fora do Supremo.
Ainda na terça-feira, Lula conversou com o presidente do STF, ministro Edson Fachin, sobre a crise envolvendo a Corte.
O presidente também recebeu contato do ministro Gilmar Mendes. Segundo informações divulgadas pela Folha de S. Paulo, Mendes teria pedido apoio do governo federal à cúpula da Polícia Federal em meio ao embate envolvendo Moraes e Mendonça.
Na avaliação de Gilmar Mendes, o episódio não deveria ser tratado exclusivamente como uma questão interna do STF, mas também envolver o Executivo diante da possibilidade de interferência no trabalho da Polícia Federal.
Na quarta-feira (2), Lula discutiu o assunto com aliados e definiu que eventuais manifestações do governo seguiriam a orientação de que ninguém está acima da lei.




























