Em apenas 24 horas após a divulgação de mensagens e informações que constavam em um relatório da Polícia Federal (PF), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, tornaram-se alvos de ao menos sete solicitações apresentadas por senadores e deputados.
Os documentos incluem pedidos de impeachment, notícias-crime, solicitações de afastamento cautelar e cobranças pela exoneração de Gonet. As medidas foram apresentadas após a divulgação, na terça-feira (1º), de mensagens envolvendo Moraes, Gonet e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em meio à quebra de sigilo determinada pelo ministro André Mendonça.
Entre as iniciativas, há pedidos direcionados ao Senado Federal e ao próprio STF. Atualmente, segundo as informações divulgadas, existem 55 pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes no Senado.
Na noite de terça-feira, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que considera fora da normalidade a quantidade de pedidos de impeachment apresentados contra ministros da Suprema Corte. Segundo ele, existem atualmente 109 solicitações de afastamento envolvendo integrantes do STF.
Pedidos contra Alexandre de Moraes
O primeiro pedido de impeachment apresentado após a divulgação das mensagens foi protocolado pelo senador Carlos Viana (PSD-MG).
No documento, o parlamentar cita um contrato de R$ 131,2 milhões entre Daniel Vorcaro e o escritório de advocacia Barci de Moraes, de propriedade de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. Segundo a representação, o ministro teria participado da edição do contrato de serviços advocatícios.
Carlos Viana também menciona conversas entre Moraes e Vorcaro que, segundo ele, indicariam que o ex-banqueiro tinha conhecimento prévio sobre o avanço da Operação Compliance Zero.
Em mensagens trocadas durante 2025, Vorcaro teria consultado Moraes sobre a possibilidade de deixar o país para evitar uma eventual prisão preventiva.
Para o senador, os fatos apontados na representação não estariam relacionados ao exercício da função de ministro do STF, mas configurariam, na avaliação dele, possível uso do cargo em benefício de terceiros.
Viana também solicitou ao STF o afastamento de Paulo Gonet da condução das investigações relacionadas ao Banco Master e pediu que o procurador-geral da República preste esclarecimentos ao plenário da Corte.
O segundo pedido de impeachment contra Moraes foi apresentado pelo deputado Cabo Gilberto (PL-PB). Na representação, o parlamentar afirma que a relação entre o ministro e Daniel Vorcaro teria criado uma situação que considera incompatível com o exercício do cargo.
Gonet também é alvo de pedidos
Paulo Gonet também passou a ser alvo de medidas apresentadas por parlamentares.
Os deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Cabo Gilberto protocolaram um pedido de impeachment contra o procurador-geral da República. Eles alegam possível crime de responsabilidade relacionado ao recebimento, ainda que de forma indireta, de valores ligados ao Banco Master e a Daniel Vorcaro para participação em um evento realizado em Londres.
Os parlamentares também solicitaram o afastamento cautelar de Gonet das funções, argumentando que a medida seria necessária para preservar a credibilidade do Ministério Público Federal e evitar eventual interferência nas investigações.
Além do pedido de impeachment, Van Hattem e Cabo Gilberto apresentaram uma notícia-crime contra o procurador-geral da República. O documento foi encaminhado ao vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, com o objetivo de solicitar a apuração dos fatos.
Parlamentares pedem exoneração
O senador Rogério Marinho (PL-RN), juntamente com Marcel Van Hattem e Cabo Gilberto, também assinou um pedido encaminhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que Paulo Gonet seja exonerado do cargo.
Os parlamentares alegam que o procurador-geral teria cometido o crime de prevaricação. A acusação se baseia na interpretação dos parlamentares sobre a conduta de Gonet diante dos fatos relacionados ao Banco Master.
Outro pedido foi apresentado pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), que protocolou uma representação contra Gonet por suposto crime de responsabilidade.
As medidas apresentadas pelos parlamentares ainda dependem de análise e não representam, por si só, uma condenação ou comprovação das acusações. O avanço de eventuais processos de impeachment e outras medidas dependerá das instâncias competentes.



























