Associação Amigo Down criou oficinas de produção de velas aromáticas e produtos personalizados com apoio do PJSC Mais Social
Um projeto desenvolvido pela Associação Amigo Down, em São José, na Grande Florianópolis, está preparando pessoas com síndrome de Down para a entrada no mercado de trabalho. A iniciativa recebeu R$ 30.368,40 do programa PJSC Mais Social, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), para a implantação do projeto “Mãos que Falam – Cromossomo Criativo”.
Com os recursos, a entidade adquiriu equipamentos e materiais para a criação de oficinas de produção de velas aromáticas e de produtos personalizados. Entre os itens estão duas máquinas de sublimação, um notebook, dois fogões elétricos, kits para derretimento, 300 camisetas e bonés, além de ceras, essências e outros insumos.
Ao todo, 15 pessoas, com idades entre 21 e 38 anos, participam das atividades. Elas estão aprendendo a produzir e personalizar camisetas, bonés e canecas, além de fabricar velas aromáticas. As produções deram origem às marcas Estampa 21 e Aroma 21.
As oficinas são realizadas pelo Serviço de Vivências Laborais (SEVIL) e têm como objetivo desenvolver autonomia e habilidades necessárias para o ambiente profissional.
“A empregabilidade é parte fundamental da inclusão das pessoas com síndrome de Down na sociedade. Por isso, ter esse projeto é um avanço muito grande para nós e para a sociedade como um todo”, afirmou a diretora administrativa da Associação Amigo Down, Vivian dos Santos Beuttemmüller.
Segundo a entidade, antes do projeto havia uma dificuldade em oferecer uma preparação específica para a inserção dos atendidos no mercado de trabalho. Agora, as atividades permitem que os participantes tenham contato com uma rotina semelhante à encontrada em uma empresa.
Preparação para a vida profissional
As oficinas acontecem duas vezes por semana, no período da manhã. Além das atividades práticas, os participantes também trabalham conceitos relacionados à autonomia e à rotina profissional.
A coordenadora pedagógica Aline Barros explicou que o projeto começou com atividades relacionadas ao reconhecimento e uso do dinheiro.
“Com o projeto Cromossomo Criativo, nós buscamos algo que fosse prático, para que eles conseguissem lidar de forma autônoma e que os habilitasse ao mercado de trabalho”, explicou.
A produção das velas e os trabalhos de sublimação também podem contribuir futuramente para a geração de renda e para a autonomia financeira dos participantes.
A mãe de Rafael Crespo, de 21 anos, que participa da associação desde 2018, também destacou a importância da experiência. Rafael atualmente cursa Produção Multimídia no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).
“Essas oficinas profissionalizantes proporcionam a individualização e o conhecimento da rotina do mercado de trabalho. Tanto que eles chegam às 9h, e a primeira missão é bater o cartão-ponto, como se fosse em uma empresa. Isso vai contribuir para a independência deles, porque não somos eternos”, afirmou Angelita Crespo Nunes.
Associação atende 163 pessoas
Criada em 1991, a Associação Amigo Down atende atualmente 163 pessoas, desde o nascimento até a terceira idade, vindas de diferentes regiões de Santa Catarina.
A instituição realiza mais de 400 atendimentos por mês por meio de uma equipe multidisciplinar formada por profissionais de áreas como assistência social, fisioterapia, fonoaudiologia, pedagogia, neuropsicologia e educação física.
Os recursos destinados ao projeto pelo PJSC Mais Social são provenientes de valores pagos em penas de prestação pecuniária, suspensão condicional do processo, transação penal e acordos de não persecução penal relacionados a crimes de menor potencial ofensivo.
Em 2025, o programa contemplou 181 projetos sociais em Santa Catarina, com um total de R$ 7 milhões destinados às iniciativas.

























