O preço dos alimentos ajudou a aliviar a inflação em agosto, principalmente com a queda de legumes e verduras. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA registrou deflação de 0,32% no mês, abaixo da alta de 0,07% observada em julho.
Entre os grupos pesquisados, Habitação (-1,87%), Transportes (-0,86%), Alimentação e bebidas (-0,34%) e Comunicação (-0,09%) contribuíram para o resultado negativo do índice.
Dentro da alimentação consumida em casa, a maior queda foi registrada pela batata-inglesa, que ficou 19,89% mais barata. O tomate teve redução de 10,94%, enquanto cenoura e cebola recuaram 11,22% e 11,07%, respectivamente.
O movimento está relacionado ao aumento da oferta provocado pela intensificação da safra de inverno. A colheita em regiões produtoras de São Paulo, Minas Gerais e Goiás ampliou a quantidade de produtos disponíveis nos mercados atacadistas.
Como legumes e verduras são perecíveis, os produtores e comerciantes precisam escoar rapidamente a produção. Com maior oferta nas Centrais de Abastecimento (Ceasas), os preços acabam sendo reduzidos e o efeito chega às prateleiras dos supermercados.
A cenoura e a cebola também tiveram aumento da oferta com a regularização das colheitas no Cerrado brasileiro. O tempo seco e as temperaturas elevadas favoreceram o desenvolvimento das lavouras, mantendo os entrepostos abastecidos.
Leite e carne seguem na direção contrária
Enquanto os produtos hortícolas ficaram mais baratos, o leite longa vida subiu 1,78% em agosto. A alta ocorre em um período de entressafra, marcado pela redução da produção de leite em importantes regiões produtoras do Sudeste e Centro-Oeste.
A estiagem prejudica a qualidade das pastagens e pode reduzir a quantidade de leite captada nas propriedades. Com menor oferta, os laticínios enfrentam maior concorrência pela matéria-prima, pressionando os preços do produto vendido ao consumidor.
As carnes também ficaram mais caras, com alta média de 0,61% no período.
A redução da oferta de animais terminados a pasto durante a estiagem leva frigoríficos a recorrerem mais ao gado de confinamento, o que pode elevar os custos de produção.
Além disso, a demanda internacional continua aquecida, mantendo as exportações brasileiras de carne em ritmo forte. A combinação entre menor oferta no mercado interno, custos maiores e procura externa ajuda a sustentar os preços nos açougues.




























