Santa Catarina pode entrar nas próximas semanas ou no próximo mês em uma condição de El Niño muito forte, também chamada de “Super El Niño”. A possibilidade preocupa a Defesa Civil principalmente pelo potencial de aumento dos volumes de chuva durante a primavera de 2026 e o outono de 2027.
Segundo Frederico de Moraes Rudorff, gerente de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil de Santa Catarina, o acompanhamento dos volumes de precipitação e de possíveis eventos extremos será reforçado durante esses períodos.
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Em Santa Catarina, ele costuma favorecer o aumento das chuvas, especialmente durante as estações de transição.
Na quarta-feira (9), as águas superficiais do Pacífico Equatorial apresentavam uma anomalia positiva de 1,8°C. Projeções da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) apontam para a continuidade do aquecimento e indicam a possibilidade de o fenômeno atingir intensidade extrema.
Primavera e outono concentram preocupação
A Defesa Civil considera a primavera de 2026 e o outono de 2027 os períodos que exigem maior atenção diante da possível influência do El Niño.
A previsão, porém, não significa que Santa Catarina necessariamente enfrentará desastres naturais. Rudorff destaca que a intensidade do fenômeno, isoladamente, não determina a ocorrência de eventos extremos.
As enchentes que atingiram o Vale do Itajaí em 2023 e o Rio Grande do Sul em 2024, por exemplo, ocorreram durante um El Niño moderado e tiveram impactos superiores aos registrados em 2015, quando o fenômeno apresentou uma das maiores intensidades já observadas.
O La Niña, que representa o padrão oposto ao El Niño, também já esteve relacionado a episódios de tempo severo no Sul do Brasil, como os eventos de 2008, as inundações no Alto Vale do Itajaí em 2011 e o ciclone-bomba de 2020.
Como é definida a intensidade
A classificação do El Niño considera a persistência das anomalias de temperatura do Oceano Pacífico por pelo menos três meses consecutivos.
O fenômeno é considerado fraco quando a anomalia fica entre 0,5°C e 0,9°C; moderado entre 1,0°C e 1,4°C; forte entre 1,5°C e 1,9°C; e muito forte quando supera 2,0°C.
Com a anomalia atualmente em 1,8°C e a previsão de continuidade do aquecimento, os modelos meteorológicos indicam possibilidade de avanço para uma categoria ainda mais intensa nas próximas semanas.



























