Uma mãe relata ter aguardado quase 24 horas por uma ambulância da Prefeitura de Blumenau para levar o filho, um bebê de quatro meses, de volta para casa após receber alta hospitalar. Frederico depende de oxigênio contínuo e, segundo a família, não poderia ser transportado em um veículo comum.
O bebê estava internado no Hospital Santo Antônio após ser levado pelo Samu, no sábado (29), devido a um quadro de broncoaspiração de vômito. Ele recebeu alta por volta das 16h, mas precisou permanecer na unidade porque o transporte adequado não estava disponível naquele momento.
Segundo a mãe, Iassol Turra, o hospital solicitou uma ambulância à prefeitura. Por volta das 19h, ela foi informada de que não seria mais possível realizar o transporte naquele dia e que a família deveria aguardar até a manhã seguinte.
“Ali é um local de passagem, não é para ficar 24 horas esperando uma ambulância. Claro, uma coisa é esperar uma hora; aconteceu alguma coisa, né? Outra é um bebezinho cheio de problemas de saúde virar a noite no hospital por ter só uma ambulância para uma cidade do tamanho de Blumenau”, lamentou.
A previsão inicial, conforme o relato da mãe, era de que o veículo chegasse às 7h de domingo (30). O horário passou sem que a ambulância aparecesse. Mais tarde, a família foi informada de que o veículo disponível estava em Florianópolis, realizando a transferência de outro paciente.
Ainda segundo Iassol, posteriormente foi informada de que uma ambulância terceirizada faria o transporte, mas o veículo também não teria chegado durante a tarde.
Diante da demora, a família decidiu contratar uma ambulância particular para levar Frederico para casa. O serviço custou R$ 270.
Bebê necessita de cuidados especiais
Frederico utiliza traqueostomia e gastrostomia e havia passado meses internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A mãe afirma que a permanência prolongada no pronto-socorro dificultou os cuidados necessários ao bebê.
“Ele não tem condições de ficar lá esse tempo todo, em um local improvisado do pronto-socorro, sem banho, sem troca de curativos, só esperando o transporte”, desabafou.
A família é do Extremo-Oeste de Santa Catarina e se mudou para Blumenau em razão do tratamento do bebê, diagnosticado com mielomeningocele ainda durante a gestação.
Segundo a mãe, apesar de o casal trabalhar, a família também precisa recorrer a vaquinhas e rifas para ajudar a cobrir as despesas relacionadas aos cuidados de Frederico.
Iassol afirma que solicitou o prontuário médico do filho ao hospital e pretende levar o caso ao Ministério Público.
Hospital e prefeitura explicam demora
O Hospital Santo Antônio informou que a alta médica faz parte de um fluxo que envolve outras etapas e que a solicitação de transporte não ocorre necessariamente de forma imediata após a liberação do paciente.
Segundo a instituição, como o horário se aproximava das 19h e o serviço de transporte funcionava somente até esse horário, a situação foi discutida com a família e ficou acordado que o deslocamento seria realizado no dia seguinte.
O hospital confirmou que, na manhã de domingo, a ambulância disponível estava em Florianópolis realizando a transferência de outro paciente. A família teria sido informada sobre a situação e sobre a previsão do transporte, que dependia da disponibilidade do serviço.
A Prefeitura de Blumenau afirmou que a Central de Transportes da Secretaria Municipal de Promoção da Saúde foi acionada na manhã de domingo. Conforme o município, a ambulância plantonista estava em Florianópolis realizando uma transferência urgente.
A prefeitura informou ainda que comunicou ao hospital que o transporte poderia ser feito durante a tarde e que chegou a providenciar uma ambulância particular para realizar o deslocamento.
Segundo o município, quando o veículo chegou ao hospital, por volta das 15h, a família já havia contratado outro serviço.
O Hospital Santo Antônio afirmou que, durante o período de espera, Frederico permaneceu acompanhado pela família e recebeu assistência e os cuidados necessários da equipe.
A instituição também ressaltou que o transporte de pacientes é organizado pela prefeitura e depende da demanda e da disponibilidade de veículos e motoristas.




























