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Após sobreviver à injeção letal, Christa Pike segue em estado crítico e defesa pede prisão perpétua

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Christa Pike, de 50 anos, permanece internada em estado crítico e sob ventilação mecânica em um hospital de Nashville, no Tennessee, após sobreviver a uma tentativa de execução por injeção letal. A defesa pretende pedir que a pena de morte seja convertida em prisão perpétua.

Condenada à morte nos Estados Unidos, Pike recebeu duas doses de pentobarbital durante a tentativa de execução, realizada na quarta-feira (30). Segundo o advogado Stephen Ferrell, o estado de saúde da detenta ainda é grave e não há previsão de quando ela poderá recuperar a consciência.

Em entrevista ao programa CBS Mornings, Ferrell afirmou que pode levar tempo até que Pike tenha condições de participar novamente de procedimentos judiciais relacionados ao caso.

Falhas durante a aplicação do medicamento

A defesa afirma que houve dificuldades para estabelecer os acessos intravenosos durante a execução. Os advogados suspeitam que os cateteres possam ter sido posicionados de maneira inadequada, fazendo com que parte do medicamento atingisse os tecidos dos braços em vez de entrar corretamente na corrente sanguínea.

Antes do procedimento, a defesa já havia alertado sobre dificuldades anteriores para encontrar veias adequadas em Pike. O Departamento de Correções do Tennessee, entretanto, afirmou que o protocolo estabelecido para a execução foi seguido.

Após o episódio, o governador Bill Lee suspendeu as execuções previstas no estado até o fim do ano e determinou uma investigação independente para apurar o que aconteceu.

Ainda não foi informado se o Estado pretende realizar uma nova tentativa de execução caso Pike se recupere.

Defesa quer evitar nova execução

O advogado Stephen Ferrell afirmou que a defesa pretende negociar a conversão da pena de morte para prisão perpétua. A intenção é evitar que Pike seja submetida novamente ao procedimento.

O episódio também resultou na saída de Frank Strada, chefe do sistema prisional do Tennessee. Segundo o The Guardian, ele anunciou que deixará o cargo em outubro.

Para Robin Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center, a sobrevivência de uma pessoa após receber a substância utilizada na execução é um caso sem precedente na era moderna da pena de morte.

Condenação por assassinato

Christa Pike foi condenada à morte pelo assassinato e tortura de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995, quando tinha 18 anos. Ela está presa há cerca de três décadas, grande parte desse período em isolamento.

Segundo o histórico do caso, Pike contou com a participação do então namorado, Tadaryl Shipp, e de uma amiga, Shadolla Peterson.

Shipp recebeu prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional em 1997. Peterson também foi condenada e posteriormente obteve liberdade condicional após colaborar com as autoridades.

Histórico das execuções no Tennessee

O protocolo de execução do Tennessee já havia sido questionado anteriormente. Em 2022, o Estado suspendeu as execuções para revisar os procedimentos relacionados à injeção letal.

As execuções foram retomadas em 2025, com o uso de pentobarbital como única substância, em substituição ao antigo protocolo com três medicamentos.

No início deste ano, a execução de Tony Carruthers também foi interrompida depois que funcionários não conseguiram estabelecer uma linha intravenosa para administrar o medicamento.

O caso de Pike, porém, apresenta uma diferença: ela recebeu as substâncias previstas no procedimento e sobreviveu. A investigação determinada pelo governo do Tennessee deverá apurar as circunstâncias que levaram à falha da execução.