A coalizão Escudo das Américas, liderada pelos Estados Unidos para ampliar a cooperação no combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado, reúne países da América Latina e do Caribe, enquanto Brasil e México permanecem fora do grupo. Criada em março de 2026, a iniciativa ganhou novos integrantes ao longo do ano e passou a ocupar espaço central na estratégia do governo de Donald Trump para o hemisfério.
A aliança prevê maior compartilhamento de informações e cooperação entre os países participantes em operações contra organizações criminosas e o tráfico internacional de drogas. Segundo autoridades americanas, a proposta busca ampliar a atuação conjunta, enquanto o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que os Estados Unidos preferem realizar ações militares com aprovação e participação de aliados regionais.
O governo Trump também adotou uma postura mais dura contra os cartéis e classificou algumas dessas organizações como grupos terroristas estrangeiros. Em setembro, durante a Assembleia-Geral da ONU, o presidente americano afirmou que os Estados Unidos pretendem utilizar sua capacidade militar para combater ameaças consideradas relevantes para a segurança do país.
Entre os países que aderiram à coalizão estão Argentina, Equador, El Salvador, Colômbia e Peru. A entrada de Colômbia e Peru ocorreu após mudanças de governo nesses países. Brasil e México, por outro lado, não fazem parte da iniciativa.
A ausência dos dois países coloca o Brasil fora de uma estrutura de segurança regional coordenada pelos Estados Unidos. No caso mexicano, questões relacionadas à soberania e à possibilidade de operações militares americanas em território nacional estão entre os fatores que dificultam uma adesão. A presidente Claudia Sheinbaum tem defendido que ações de segurança em território mexicano respeitem a soberania do país.
A estratégia americana também está relacionada às operações militares realizadas contra embarcações suspeitas de transportar drogas em águas internacionais. Segundo a Reuters, essas ações provocaram críticas de organizações de direitos humanos, que questionam a legalidade e as circunstâncias das mortes registradas nas operações.
O governo americano sustenta que as medidas fazem parte de uma estratégia de combate ao tráfico internacional e ao crime organizado. Rubio, por sua vez, declarou que Washington possui capacidade para agir unilateralmente, mas considera a cooperação com países aliados uma forma mais eficaz de enfrentar o tráfico de drogas.
Com a ampliação da coalizão, o Escudo das Américas passa a representar uma nova frente de cooperação em segurança no continente. A participação ou não de países como Brasil e México mantém aberta uma discussão sobre os diferentes modelos de atuação contra o narcotráfico e sobre o papel dos Estados Unidos na segurança do hemisfério.

























