Vereador de Ilhota Armado nas redes: Um tiro no pé da responsabilidade pública? ILHOTA OPINIÃO 12 de Outubro, 202513 de Outubro, 2025 Por José Macedo Em uma imagem que circulou essa semana nas redes sociais, o vereador Vanderlei José Costa, de Ilhota (SC), aparece posando com um fuzil de assalto em punho, em meio a um cenário rural com gramados verdes, montanhas ao fundo e caixas de munição espalhadas como acessórios de uma cena de faroeste moderno. >> Siga o canal do Correio do Vale no Instagram Vestido com botas enlameadas, calça jeans e uma camiseta preta simples, Costa segura o que parece ser um rifle estilo AR-15, calibre .223 Remington ou 5.56×45mm NATO – um armamento de alta potência, comum em treinamentos militares e cada vez mais acessível a civis no Brasil.Segundo o próprio vereador me informou tratava-se de um treinamento militar que aconteceu em seu sitio. Vanderlei Costa, 49 anos, empresário e filiado ao Partido Liberal (PL), não é um novato na política local. Reeleito para o mandato 2025-2028 na Câmara de Vereadores de Ilhota, Seu perfil nas redes, com mais de 1.300 seguidores no Instagram, costuma misturar pautas cotidianas – como obras no Bairro Ilha Bela e calçamentos comunitários, sempre com mensagens de fé evangélica: “Presbítero cristão, casado, pai de família. Família a base de tudo, Deus acima de todos!”, reza a bio do vereador. Todavia essa imagem recente quebra o padrão. Em vez de discorrer sobre pavimentação ou lazer público, Vanderlei escolheu por um close-up com o fuzil, o dedo próximo ao gatilho e um ar de satisfação que beira o troféu. Por quê? A postagem, não explica. Seria um alerta contra insegurança rural? Uma demonstração de “autodefesa”? Ou mero exibicionismo em tempos de polarização armamentista? De fato, sob o Estatuto do Desarmamento, civis podem registrar rifles como o AR-15 junto ao Exército Brasileiro, desde que comprovem capacidade técnica, residência em área de risco e necessidade efetiva. Armas de calibre restrito, como o 5.56mm, exigem autorização especial da Polícia Federal. Nada indica no entanto, até o momento, que o vereador viole esses requisitos; ele poderia ser um proprietário regular. Mas o problema não está na posse – está na exposição. Aqui entra o ponto central dessa controvérsia: empunhar e exibir uma arma em redes sociais pode configurar infração grave. O artigo 17 do Estatuto do Desarmamento veda a “exibição de arma de fogo em locais públicos de forma ostensiva ou ameaçadora”, mesmo para portadores legalizados, com pena de detenção de 1 a 2 anos e multa. Publicar isso online amplia o alcance: transforma um ato privado em espetáculo público, potencialmente interpretado como apologia ao crime (art. 287 do Código Penal) ou até incitação à violência, especialmente se visto como endosso a uma cultura armamentista. E a questão e que a publicação vinda de um vereador que é figura de autoridade moral e legal, soa como aval implícito. Imagine o impacto em jovens de Ilhota: em vez de inspirar com projetos de infraestrutura, Vanderlei opta por um símbolo de confronto. Minha opinião? Essa foto é um tiro no pé e bem no tecido social que ele jurou defender. Como presbítero e pai de família, Vanderlei prega valores de paz e unidade; como vereador, deve zelar pela harmonia comunitária. Exibir um fuzil não fortalece a segurança; romantiza a paranoia. Em Santa Catarina precisamos de líderes que combatam a raiz da violência – educação, policiamento preventivo, integração rural – em vez de posarem como pistoleiros de Instagram. Se o objetivo era “mostrar força”, falhou: o que se vê é fragilidade, um político que recorre a ícones bélicos para se afirmar, ignorando que o verdadeiro poder reside na empatia e na lei. E por fim, sugiro ao nobre vereador uma reflexão bíblica – que ele tanto cita: “Bem-aventurados os pacificadores” (Mateus 5:9). Remova a foto, vereador. Ilhota merece mais do que balas nas timelines; merece balizas éticas. Caso contrário, essa imagem não será só um post polêmico – será um legado de irresponsabilidade. >> Siga o canal do Correio do Vale no Whatsap Compartilhar no FaceTweetEnvie essa materia por email